Imagine uma reunião de equipe onde ninguém se sente confortável para discordar, propor
uma nova ideia ou admitir que cometeu um erro. Todos acenam com a cabeça, mas operam
no modo silencioso. Esse tipo de ambiente, à primeira vista funcional, na verdade bloqueia
a criatividade, dificulta a inovação e afasta o aprendizado coletivo.
É nesse cenário que a segurança psicológica surge como um dos pilares mais relevantes
para equipes saudáveis e produtivas.
O que é segurança psicológica
De acordo com o Great Place to Work (GPTW), segurança psicológica é a percepção de
que as pessoas podem se expressar com autenticidade, levantar preocupações e participar
ativamente das decisões, sem receio de punições ou constrangimentos. Em outras
palavras, trata-se de um ambiente em que é seguro ser quem se é e contribuir com o que
se pensa, mesmo que haja discordância ou risco de erro.
Amy Edmondson, professora da Harvard Business School, foi uma das primeiras
pesquisadoras a estudar o impacto desse conceito nas equipes. Para ela, segurança
psicológica é a base da confiança coletiva. Quando um grupo acredita que não será julgado
ou prejudicado por dizer a verdade ou tentar algo novo, ele tende a colaborar mais, inovar
mais e aprender com mais rapidez.
O que as pesquisas dizem sobre o impacto nas
empresas
O estudo mais conhecido sobre o tema foi realizado pelo Google, no projeto chamado
Aristóteles. A equipe analisou centenas de times de alta performance e chegou a uma
conclusão clara: o fator mais importante para o sucesso de uma equipe não é o QI dos
membros, nem a experiência técnica. É a segurança psicológica.
Outros dados reforçam esse impacto:
- Segundo a McKinsey & Company, equipes lideradas por gestores que criam segurança emocional têm 20% mais desempenho e 27% mais propensão à inovação
- A Gallup identificou que colaboradores que se sentem livres para falar o que pensam têm 43% menos chance de sair da empresa no ano seguinte Um estudo publicado na Harvard Business Review relaciona diretamente ambientes emocionalmente seguros com menor rotatividade, mais engajamento e decisões mais eficazes
O que esses dados mostram é simples: ambientes que promovem abertura emocional são
mais inteligentes como coletivo. E isso se traduz em vantagem competitiva.
Os custos silenciosos da insegurança
A ausência de segurança psicológica não causa apenas desconforto. Ela reduz o
engajamento, paralisa a criatividade e provoca aquilo que os especialistas chamam de
“silêncio organizacional”. As pessoas deixam de alertar sobre riscos, param de propor
melhorias e, aos poucos, se desconectam da cultura.
Alguns dos impactos mais comuns em empresas que ignoram esse tema são:
- Diminuição da inovação, já que os colaboradores evitam correr riscos
- Queda na qualidade da comunicação entre áreas
- Aumento de erros operacionais, que deixam de ser discutidos abertamente
- Crescimento do afastamento emocional e do desejo de sair da empresa
Tudo isso gera um ciclo de baixa performance que muitas vezes é atribuído à falta de
competência ou engajamento, quando, na verdade, tem origem na cultura e na forma como
as pessoas são ouvidas (ou não são).
O papel da liderança
A segurança psicológica não nasce espontaneamente. Ela é criada no cotidiano da equipe,
especialmente nas interações com lideranças. O comportamento dos líderes tem um peso
enorme na construção (ou destruição) desse tipo de ambiente.
Segundo a PWC, líderes que demonstram empatia, escutam ativamente e estimulam a
diversidade de ideias constroem ambientes mais seguros e colaborativos. Mas o dado mais
preocupante está em outra pesquisa da McKinsey: apenas 26% dos gestores afirmam se
sentir preparados para promover segurança emocional nas suas equipes.
Ou seja, há um desafio real e urgente: desenvolver lideranças capazes de criar espaços
onde as pessoas se sintam respeitadas e valorizadas, mesmo quando erram, discordam ou
pensam diferente.
Como sua empresa pode começar
Construir segurança psicológica não é algo que acontece em um único workshop. É um
processo contínuo, que exige consistência, clareza de valores e práticas diárias. Abaixo,
alguns caminhos que podem apoiar sua organização nesse processo:
- Capacitar líderes para a escuta ativa e o feedback com respeito
A escuta é o ponto de partida. Quando líderes ouvem sem interromper, consideram
diferentes opiniões e acolhem vulnerabilidades, mostram que o ambiente é seguro para
participação verdadeira. - Normalizar o erro como parte do processo
Errar não deve ser motivo de punição, mas sim de aprendizado. Quando o erro é tratado
com transparência, ele se transforma em uma ferramenta de evolução e não em uma
ameaça. - Criar espaços de fala estruturados
Pesquisas de clima, reuniões de alinhamento emocional, rodas de conversa e canais de
feedback precisam ser frequentes, legítimos e levados a sério. - Garantir coerência entre discurso e prática
Nada compromete mais a segurança do que prometer escuta e punir quem fala. A
congruência entre os valores da empresa e o que se pratica no dia a dia é o que sustenta a
confiança. - Celebrar a diversidade de ideias
Ambientes seguros são aqueles onde as diferenças não apenas são toleradas, mas
valorizadas. A pluralidade de perspectivas gera melhores decisões e fortalece o senso de
pertencimento.
Segurança psicológica é uma decisão estratégica
É comum que o tema da segurança psicológica ainda seja tratado como parte das “ações
de bem-estar” ou “relacionamento com o colaborador”. Mas isso precisa mudar. O que as
pesquisas mostram é que a segurança emocional nas equipes é, acima de tudo, uma
questão de inteligência organizacional.
Não se trata de ser mais “bonzinho”. Trata-se de ser mais eficiente, mais adaptável, mais
inovador. Empresas que conseguem criar esse tipo de ambiente são mais preparadas para
crescer de forma sustentável, mesmo em contextos complexos e desafiadores.
Como o Instituto Diálogos pode apoiar sua empresa
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fortalecer sua cultura de segurança psicológica. A partir de diagnósticos precisos,
formações personalizadas para líderes e projetos de mudança cultural, ajudamos
organizações a se tornarem espaços onde as pessoas se sentem seguras para contribuir
com autenticidade — e onde a performance se torna uma consequência natural.
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